Para um alguém…
Porque a noção de exibionismo não é assim tão simples. Porque partilhar e confessar são coisas bem diferentes. Porque eu partilho pelo prazer de partilhar. Porque eu partilho por que acredito que a vida de cidade pode ser solitária. Porque eu partilho porque sei que é a única forma de manter viva outras emoções e ligações que de outra forma desapareceriam. Eu partilho porque a vida tem muito mais sentido assim.
Esta é a segunda e última carta na garrafa de vidro que te envio. Esta é a segunda e última carta de zeros e uns que deixo seguir o seu caminho… porque sei que o seu destino nunca existirá. Aquilo que ambiciono, na verdade, verdade nunca existiu.
Alguém… o destino desta carta é tão abstracto quanto a arquitectra do servidor que uso. E será que ter consciência desta realidade ajuda em algo esta situação? Não.
Assim, alguém, acredita que o cruzamento existe agora. E se tu segues pela direita, eu sigo pela esquerda. Porque a minha loucura é mais louca do que qualquer coisa que eu sinto.
Na semana passada, uma dessas coincidências loucas da vida aconteceu. E de repente, linhas paralelas, cruzaram-se antes de chegar ao infinito. E tu perguntas - Como? - E eu digo - Não sei, mas aconteceu.
E enquanto isso aconteceu, as nossas vidas deixaram de ser paralelas com a esperança de se cruzarem no futuro e passaram a ser perpendiculares. O cruzamento aconteceu, é verdade. Mas foi tão breve que nem dês-te conta.
Alguém, boa sorte. E espero que nunca te arrependas por aquilo que nunca aconteceu. Alguém… eu fui. Tu é que não percebeste.
E parti. Parti.
Ciao xx