…-mania! (6)
Da cozinha da minha terra
Do têmpero que a avó me ensinou.
Eu gosto das migas e do ensopado
Da alheira e da posta
Do bacalhau com natas
À Brás e no forno.
Eu gosto do coentro e do louro
Bastante cebola
E um pouco de vinho.
Tenho saudades da massa de pimentão
Que se fazia no quintal
Nos meses de Verão
Na casa da Inácia e do Joaquim.
Eu gosto de sentir que não é só o sangue
Que me corre nas veias
Que me deixa indecisa
Quando chega o momento
Da decisão.
Eu sou nortenha eu sou alentejana
Sou alfacinha no coração
E portuguesa definitivamente
Quando olho o horizonte.
Sou um marinheiro moderno
Que sofre longe de casa
E que se angustia quando
De casa não pode partir.
Sou um marinheiro
Que em porto algum
Se sente tão em casa
Como no porto lusitano.
Sou um marinheiro
Que deixa um pouco de si
Por cada porto que passa
Na esperança que um dia
Consiga retornar
Ao ponto de partida.
Eu gosto de doce de abóbora
Delícias feitas de amêndoa
Arroz doce com canela
E pastéis de nata.
Eu gosto de vinho verde da Régua
Tinto do Douro e do Alentejo
E verde de Setúbal.
Eu gosto do moscatel
Da ginginha em noites de Inverno
Em tascas sombrias
E da amarguinha
Que me leva ao tempo que passou.
Eu gosto do sotaque do Porto
Dos Açores e do Algarve
Não gosto tanto do nortenho
Ou do alentejano
No entanto esses são os que carrego
Na voz e na alma
Esses são aqueles
Que fazem de mim o que sou.
Eu gosto do português
Em manhãs de Outono
Quando aqui tudo arrefece
E eu quase desespero…
Porque estou tão longe
E tão perto…