Lugares… a que não se pertence
A noção de casa é agora espalhada, é uma noção de vários níveis de afeição e não só. Hoje eu só um ‘copy e paste’ de lugares que me acolheram de melhor ou pior forma, que me absorveram na sua teia quotidiana ou me rejeitaram instantaneamente. Casa é Lisboa quando a saudade aperta, é Bristol em fim-de-semanas de fuga, é Londres na maioria dos outros dias. Mas esta é a minha casa física. Porque casa, enquanto noção de lugar aonde pertenço não existe. Porque hoje existo aqui… mas talvez amanhã não. Casa é e será o lugar aonde eu estiver com a minha mochila, um livro e o portátil.
Hoje, o lugar a que não pertenço, mas aonde existo é Bristol. Assim, volto à casa que foi casa na maioria dos dias durante 5 anos. E assim, sinto um pequeno bater do coração mais acelarado sempre que cá volto. Mas a vida continua e os lugares sofrem mutações. As pessoas vão e vêm. Mas lá no fundo, enquanto existir pelo menos um elo de ligação, esta será sempre uma casa temporária de vez em quando.
A Maisy e a Maya nasceram. A Sarah foi para Newcastle. A Julie deu a volta à Europa e ficou em
Marseille. A Joana vai para Oxford. A Lucy continua por cá, mas sempre com um pé fora.E eu… eu volto e reencontro lugares e momentos que ficaram cristalizados no tempo à espera do meu retorno. Eu, passo a noite a dançar esbarrando com caras mais ou menos conhecidas, rio-me e estabeleço novos elos. Eu, observo o céu azul da cidade que parece mais pequeno do que o londrino, mas talvez mais brilhante e em tudo tão diferente do lisboeta. Eu, caminho pelas ruas vazias às 5 da manhã pensando como aqui a vida é fácil… só por poder regressar a casa assim - caminhando. Eu, fico por momentos com vontade de aqui voltar, só porque se sente mais fácil.
Mas este lugar… não me pertence. E foi por isso mesmo que eu parti. Parti.

