Friday, January 18, 2008

Espaços de Tensão/Reconciliação (2)

A busca da compreensão no ocidente é quase sempre, no quotidiano diário, feita através da busca da essência, do que é real, do que é veradeiro - a essência do ser, do objecto artístico, da nossa acção. Um constante definir de conceitos, reestruturação de realidades que sejam possiveis de compartimentar. Como se de alguma forma, todas as outras experiências ou afectos fora de tais estruturas não tivessem sentido, não fossem tão reais.

Claro que esta busca é em si mesmo problemática… tal como é ainda mais problemática a minha afirmação. Mas certas afirmações, são por momentos, de utilidade para o argumento.

Espaços de tensão/reconciliação são espaços que estão entre ser e não ser, que fazem parte daquilo difícil de definir, dos quais a dinâmica existente, torna quase impossível uma tentativa de control, ou de definição. São espaços de criatividade… de potencial.

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Como é possível tantas vezes o argumento não passar para lá da discussão de conceito? Do que cada palavra usada quer dizer? O que se está a tentar alcançar com tal deviação do assunto original?

Como é possível ler tanto nas entrelinhas daquilo que é apresentado? Será a imagem um conjunto de significados em si mesmo? Serão esses significados transportados do espectador para a imagem, que lhe retribui tanta significação, com uma carga descritiva de tudo aquilo que se pretende dizer?

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No meu espaço de tensão/reconciliação não existe o termo ‘bolas’. Ficaria perdido na tradução. Mas como é tantas vezes necessário. Necessário para aqueles instantes em que a discussão é paralisada, é parada no tempo porque o conceito torna-se o factor determinante.

O meu espaço de tensão/reconciliação não é violento, mas é agressivo. Agita aqueles que de si se tentam apoderar. Atormenta aqueles que não conseguem mover-se para além do que é ‘real’ - ‘verdadeiro’.

Não tem a verdade múltiplas facetas… ideologias… teorias?

Posted by The Assemblagist at 00:22:04 | Permalink | No Comments »

Tuesday, October 30, 2007

Espaços de Tensão/Reconciliação

Repetição. Repetição. Diz outra vez. Desculpa. Perdi-me. Começa outra vez. Retorna ao princípio.

Espaços de experimentação, de tensões extenuadas, de paz fragilizada por momentos que se repetem continuamente dia após dia. Espaços familiares onde a sua própria familiaridade se torna problemática. Espaços que em certos dias são exemplos de técnicas de tortura por suas dimensões restrictas.

Casa. Café. Supermercado. Carruagem de metro.

Espaços que quanto maior é a relação de intimidade mais desconfortáveis se tornam. Abro a porta e saio de casa sem rumo. Caminho. Caminho durante horas. Já não sei se o caminhar é apenas físico… ou mental. Deixei de pensar. Espaço. Espaço é a única coisa que procuro de momento.

Repetição. Repetição. Caminho. Passo atrás de passo. O autocarro que passa. Um outro se segue. Tudo parece ter um ritmo. Tudo se torna compassado. Ritmo é repetição. Não consigo. Espaço não familiar é agora demasiado ambíguo para poder lidar com ele. As messagens que processo não são simples. Nada parece ter um sentido directo. A informação agora é constante. Desespero.

Caminho mais depressa. Caminho de volta. Repetição. Repetição. Passo atrás de passo. Um autocarro atrás do outro. Avisto algo que me anima. Durante breves segundos acalmo. Paro. Reflicto. Abro a porta. Entro.

Abro outra porta. Entro. Decido. Vou dormir.

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