Escrevo. (4)
Mas eu leio histórias, eu percorro folhas cheias de palavras e sei… sei que as palavras que me seguem, acompanham, perseguem, têm que a certo momento serem materializadas, e então, um novo espaço se cria para novas criações.
As palavras que escrevo, os mundos que crio, os espaços de reflexão a que me dou ao luxo, são momentos de criação, são momentos em que construo – esboço, dou forma e finalmente, finalizo. As palavras que uso são matéria-primas prontas a serem dominadas e recriadas, prontas a permanecerem eternamente algures entre o agora e o depois.
As palavras são agora… neste mesmo momento, mais do que meros pensamentos solitários em salas de luzes pálidas, em ruas semi-desertas, em autocarros quase vazios. As palavras são agora um materializar quase falhado de momentos que se deram à reflexão, o existir duma angústia que mesmo assim não se perde.
A criação não se quer propriamente solitária, mas é o espaço mental, mais do que o físico, que deixa as ideias fluirem, recriarem-se e criarem espectativas de existência. A criação - minha - será sempre dum ciclo eterno, que não se quebra. Porque criar é existir.