Thursday, December 20, 2007

Escrevo. (4)

As palavras estão há dias presas no ar à espera de momentos mais propícios para se materializarem. A Cientista diz-me, que importa se elas nunca se materializarem… existerem, como ideias, por breves momentos já lhes dá existência. Nem que essa seja apenas uma existência pessoal, só minha, só entre mim e elas.
Mas eu leio histórias, eu percorro folhas cheias de palavras e sei… sei que as palavras que me seguem, acompanham, perseguem, têm que a certo momento serem materializadas, e então, um novo espaço se cria para novas criações.

As palavras que escrevo, os mundos que crio, os espaços de reflexão a que me dou ao luxo, são momentos de criação, são momentos em que construo – esboço, dou forma e finalmente, finalizo. As palavras que uso são matéria-primas prontas a serem dominadas e recriadas, prontas a permanecerem eternamente algures entre o agora e o depois.

As palavras são agora… neste mesmo momento, mais do que meros pensamentos solitários em salas de luzes pálidas, em ruas semi-desertas, em autocarros quase vazios. As palavras são agora um materializar quase falhado de momentos que se deram à reflexão, o existir duma angústia que mesmo assim não se perde.

A criação não se quer propriamente solitária, mas é o espaço mental, mais do que o físico, que deixa as ideias fluirem, recriarem-se e criarem espectativas de existência. A criação - minha - será sempre dum ciclo eterno, que não se quebra. Porque criar é existir.

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Monday, November 19, 2007

Escrevo. (3)

Escrevo porque sei que posso partilhar.
Escrevo porque letra a letra novas dimensões são criadas, novos momentos são materializados, novos sonhos são realidade.
Escrevo porque sei. Porque posso. Porque quero.
E linha após linha, tal como segundo após segundo, a minha existência se vai desenrolando e entrecruzando com uma série de outros seres que enriquecem, fortalecem e por vezes, interrogam tudo aquilo que ‘desenhei’ e ‘criei’.
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Thursday, November 15, 2007

Escrevo. (2)

Escrevo.
Escrevo porque de outra forma não sei partilhar. Escrevo porque as palavras escritas são-me mais fáceis. Escrevo para fugir ao olhar directo. Momentos de solidão limpam-me a mente. São terapia da vida moderna. São o descarregar de tanta informação.

Escrevo aquilo que não posso dizer. As paredes crescem. A recepção falha. A palavra oral atrapalha-me o raciocínio. Escrevo o que não digo. O que não sei se sinto. O que não quero deixar de materializar.

Escrevo porque não gosto de papel branco. Escrevo gosto de preencher os espaços vazios do quotidiano.

Escrevo porque sei que outros o fazem. Porque sei que o dom da oralidade não pertence a tantos como eu. Porque sei que um dia é bom ter algo para olhar para trás. Escrevo porque não quero deixar ir tudo o que não posso agarrar.

Escrevo. Escrevo porque gosto. Simplesmente.   

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Monday, November 12, 2007

Escrevo.

Escrevo mais do que nunca. Escrevo como não escrevia há dez anos. Escrevo todos os dias. Escrevo mais do que uma vez por dia. Escrevo numa fuga desesperada duma dor física que me aperta muito mais do que a alma.

Nina Simone acompanha-me. Carrega-me ao colo por noites fora de insónia prolongada.
O ritmo dela balança a imaginação, deixa-me flutuar e sonhar. Deixa-me passear pelo Palácio da Pena em noites de luar. Deixa-me caminhar à beira mar em noites calmas de Primavera. Deixa-me adormecer ao relento em noites quentes de Verão.
Nina conta-me as tuas histórias. Reescreve as minhas. Inventa novas nestes momentos de vazio.

As noites de Domingo são as únicas de silêncio por aqui. Depois o ritmo da vida vai aumentando dia após dia até ao seu auge de Sábado à noite. Aí a noite é preenchida por risos e gritos, por buzinas e sirenes… por palavras não ditas.
As noites de Domingo são por isso noites de vazio… de solidão positiva… de momentos de reflexão.
As noites de Domingo são a preparação de possíveis Segundas de manhã ensolaradas…

… Mas só depois de dormir.

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