Entre Outras Coisas
Sinto-me revoltada… talvez triste… melancólica. Pela alteração, pela mutação forçada destas e outras memórias duma infância tão distante que por vezes questiono se alguma vez - experienciei. Sim, talvez não passe de mera construção fictícia daqueles que sempre viveram deslocados em diásporas não só físicas mas também mentais.
A porta… é somente algo entre outras coisas. À sua volta, a casa que protege, aos poucos esmorece e desaparece, o jardim foi tomado por máquinas, em seu redor já não existem cerejeiras ou nespereiras - só máquinas, e tapetes rolantes e tanques para águas residuais. Questiono. Será este o futuro do campo, da agricultura tradicional, das técnicas manuais que eu cresci a vêr serem executadas e que tanto prazer me davam fazer aquando era permitida a minha colaboração mínima e talvez mais disctractiva do que cooperativa.
A porta… que entre outras coisas talvez divida esses dias e o agora. Quem diria que eu aprendi a fazer queijo de ovelha manualmente e que descobri que para isso jeito não tinha? Que eu apanhava uva e ria quando via homens cantando e de calças enroladas enquanto a pisavam? A porta… que marca o passar do tempo - entre outras coisas, que me lembra que já lá vão mais de vinte anos desde a última vez que entrei naquela casa.