Friday, February 8, 2008

E Aprendemos (2)

A C. algumas semanas atrás enviou-me o poema de Jorge Luís Borges ‘E Aprendemos’. Desde então, está na parede. Por vezes passa ignorado. Outras vezes torna-se no momento central do meu dia: E aprendemos - diz-me ele. E eu olho e gosto de pensar, que este ‘aprendemos’ é um momento comum, que aprender é uma actividade colectiva, é um momento que não é solitário e que se prolonga continuamente.

E o Borges diz:

‘Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos…
E os futuros têm uma forma de ficarem
Pela metade.’

Esta foi uma semana de altos, daquelas semanas que parecem quase passar despercebidas na maioria dos casos… e de repente, eu sei… que talvez haja uma estrutura aparente para os meus próximos anos. E de repente, alegria é consumida por ansiedade. Porque no dia em que casa deixa de ser casa, percebemos que casa é apenas outra noção, outra estrutura que pensamos impossível de sobreviver sem… mas sem a qual não é tão difícil de sobreviver como parece.

Talvez fique por aqui por mais outros quatro anos… quatro anos, que então farão parte dos onze anos fora de Lisboa, fora da cidade das sete colinas - aquele lugar do qual me escrevem a dizer: Lisboa está maravilhosa!!! Se quiseres faço-te um programa óptimo quando voltares.

E então de repente… tudo muda de figura… um plano óptimo? Que cidade é essa pela qual preciso ser guiada? Que cidade é essa que me anima o espírito nos dias de escuridão por aqui? Será Lisboa o meu D. Sebastião em dia de nevoeiro? Porque no dia em que casa deixa de ser casa… voltar, deixa de ser uma possibilidade.

Porque no dia em que casa deixa de ser casa…

Aprendemos…

E ‘em vez de esperarmos que alguém nos traga flores…
… aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos…
E em cade dia aprendemos.’

Posted by The Assemblagist at 23:49:17 | Permalink | Comments (1) »

Tuesday, December 11, 2007

E Aprendemos

Como resultado de uma das suas deambulações pela net, a Cientista encontrou este poema traduzido em português do Jorge Luís Borges. Um antigo amigo, companheiro de viagem… Por isso não podia não materializá-lo mais uma vez em código binário. Porque aprender não é um caminho finito.

***

E Aprendemos

Após um tempo,
Aprendemos a diferença subtil
Entre segurar uma mão
E acorrentar uma alma,
E aprendemos
Que o amor não significa deitar-se
E uma companhia não significa segurança
E começamos a aprender…
Que os beijos não são contratos
E os presentes não são promessas
E começamos a aceitar as derrotas
De cabeça levantada e os olhos abertos
Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos…
E os futuros têm um forma de ficarem
Pela metade.
E depois de um tempo
Aprendemos que se for demasiado,
Até um calorzinho do sol queima.
Assim plantamos nosso próprio jardim
E decoramos nossa própria alma,
Em vez de esperarmos que alguém nos traga flores.
E aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos…
E em cada dia aprendemos.

Jorge Luís Borges

Posted by The Assemblagist at 10:16:39 | Permalink | Comments (4)