E Aprendemos (2)
E o Borges diz:
‘Aprendemos a construir
Todos os seus caminhos de hoje,
Porque a terra amanhã
É demasiado incerta para planos…
E os futuros têm uma forma de ficarem
Pela metade.’
Esta foi uma semana de altos, daquelas semanas que parecem quase passar despercebidas na maioria dos casos… e de repente, eu sei… que talvez haja uma estrutura aparente para os meus próximos anos. E de repente, alegria é consumida por ansiedade. Porque no dia em que casa deixa de ser casa, percebemos que casa é apenas outra noção, outra estrutura que pensamos impossível de sobreviver sem… mas sem a qual não é tão difícil de sobreviver como parece.
Talvez fique por aqui por mais outros quatro anos… quatro anos, que então farão parte dos onze anos fora de Lisboa, fora da cidade das sete colinas - aquele lugar do qual me escrevem a dizer: Lisboa está maravilhosa!!! Se quiseres faço-te um programa óptimo quando voltares.
E então de repente… tudo muda de figura… um plano óptimo? Que cidade é essa pela qual preciso ser guiada? Que cidade é essa que me anima o espírito nos dias de escuridão por aqui? Será Lisboa o meu D. Sebastião em dia de nevoeiro? Porque no dia em que casa deixa de ser casa… voltar, deixa de ser uma possibilidade.
Porque no dia em que casa deixa de ser casa…
Aprendemos…
E ‘em vez de esperarmos que alguém nos traga flores…
… aprendemos que realmente podemos aguentar,
Que somos realmente fortes,
Que valemos realmente a pena,
E aprendemos e aprendemos…
E em cade dia aprendemos.’