De Londres.
Assim, em quatro dias regresso a casa - à casa que tantas vezes questionei sobre um possível retorno, sobre a sua essência enquanto casa, sobre um sentimento de emigrante que nunca vai desaparecer. Porque a casa que foi um dia casa, não será a casa à qual volto brevemente. Será um espaço não neutro, de confronto, de questionamento. Será um espaço de reformulação.
E para mim regressar, nunca será apenas um momento de regresso a um monte de coisas que tantas vezes me deixaram de coração apertado - é o fechar dum círculo bem mais complexo, bem mais profundo do que é possível antever. É o regresso a tudo aquilo de que fugi, a tudo aquilo em que certo momento era demasiado. Mas as prioridades mudam, e certos encontros (e desencontros) da vida mudam o rumo daquilo que se entendia ser seguro e claro.
De Londres levo a mala cheia. E mais palavras para quê?
Há umas semanas atrás passeava por Londres com um amigo meu que também se preparava para partir. E de uma forma quase ansiosa, caminhámos por Londres - como que em busca de memórias que pudessem ser mais duradouras, mais fidignas, mais intensas. Eu recuso-me a caminhar, a percorrer, a dizer adeus, a tirar as últimas fotos.
De Londres apenas quero levar uma lição: ‘London gets under your skin.’ Porque este é verdadeiramente o meu caso. E porque ainda hoje me apanha de surpresa. E porque nada pode substituir o som de Brick Lane, os restaurantes turcos de Dalston, as lojas boutique de Stoke Newington… e porque nada pode substituir as pessoas que fazem parte deste ‘under your skin’.