Bimby
Uma máquina que possa dar a outros o brilhantismo na cozinha, que normalmente me pertence exclusivamente a mim… é demasiado difícil de aceitar! Porque uma das pequenas belezas da vida, é poder presentear os que me rodeiam com verdadeiros manjares dos deuses… e poder ser elogiada por tal. Já se está a imaginar então, porquê o meu enorme problema com a Bimby. Ou pelo menos, assim o era, até ontem à noite (lê-se 22/12/07).
E se em ditado popular de diz ‘o peixe morre pela boca’, realmente, a Bimby, também ontem eliminou a minha prévia opinião a cerca de si mesmo - pela boca.
E a Bimby… além de conseguir convencer cépticos como eu, talvez, possa ser também, a solução da era contemporânea para a redução de divórcios e aumento da natalidade.
Já se imagina o anúncio da TVI:
- Maria, conte-nos como a sua vida mudou, depois da vinda da Bimby cá para casa.
- Bem… as coisas cá por casa não andavam assim muito bem. Eu andava muito cansada, sabe… já nem tinha tempo para ver a novela da noite, mas agora sou uma mulher feliz. Até o meu marido anda mais bem disposto.
- O seu marido anda mais feliz? Mas afinal conte-nos, o que faz a Bimby?
- A Bimby é do melhor que há. Eu descasco, ela cozinha. Nós comemos, ela auto-lava-se. Eu agora, já quase nem vou à cozinha. Tenho mais tempo para os meus filhos e marido.
- Maria, recomendaria a Bimby então, às suas amigas?
- Eu sim.
- A Maria já comprou, e você?
Bem… Falando a sério, eu já consigo antever uma campanha gigantesca a desenvolver-se à volta da Bimby. Os anúncios na TVI e no jornal ‘Desktop’, o Vaticano a abrir linhas de crédito para os seus fieís, as noites de angariação de fundos na paróquia local. Sim, porque ter quem cozinhe e o faça bem e rápido, que se auto-lave e que não deixe uma cozinha um caos é definitivamente, a solução para uma vida moderna, mais feliz… e se não mais feliz, pelo menos com mais tempo livre.
Mas deixando-me de rodeios e indo directo aos acontecimentos da noite passada:
Ontem a noite, foi de jantar em casa da prima. A prima não gosta de cozinhar. O jantar estava óptimo. O arroz doce era melhor que o da minha mãe. Melhor ainda… infelizmente, do que o da minha avó. Fiquei curiosa. Perguntei na brincadeira quem tinha feito o jantar. (Já sabia da existência da Bimby.) A resposta foi curta e directa: a Bimby.
‘Morri pela boca.’
As apresentações foram curtas e directas. A Bimby é prática, ocupa pouco espaço e o manual de instruções é simples. Faz o melhor arroz-doce da zona. Aparentemente, também gelados de comer e ‘chorar’ por mais, literalmente. E um jantar para sete digno de qualquer dona de casa que se preze… sem deixar um rasto de tachos e acessórios para lavar, uma anfitriã arrependida de tal convite e convidados esfomeados.
A vida é mesmo feita das pequenas coisas, e neste caso, é feita pela Bimby. A prima pode ver televisão enquanto a Bimby cozinha. Eu provavelmente poderia ler Marx enquanto o jantar se ‘auto-fazia’. Nada mau, faria de mim uma mulher mais feliz! Ou pelo menos, mais bem alimentada! Sejam lá quais fossem as implicações de tal ‘mais’!