Wednesday, February 13, 2008

As sombras no mar

‘Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?’

‘A melancolia das lâmpadas, gente por todos os lados, enervada, com pressa. Desde que cresci o Natal tornou-se uma multidão de gente enervada e com pressa. Que não fazem sombra no mar. Não fazem sombra em parte alguma, zangam-se apenas: deve tratar-se do espírito da quadra. Não fui eu que perdi um amigo, foi o Christian que perdeu tudo.’

em Visão, António Lobo Antunes, 24 de Janeiro de 2008

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Continuo a acumular pequenas notas, pequenos pedaços de papel, de momentos que devido às suas características tenho medo de perder - que se esvaneçam por entre folhas mortas, por entre luzes foscas amareladas, por entre outros afazeres que tomam o meu quotidiano de assalto. Assim, na parede, estas pequenas notas vão fazendo companhia umas às outras… à espera da sua eternização em molduras, em pregos nas paredes daquele a que chamarei poiso, não apenas abrigo temporário.

Continuo intrigada com os cavalos que fazem sombra no mar. Continuo intrigada com imagens que povoam a minha memória de forma forte e bem delineada. Os meus cavalos que fazem sombra no mar também são eles momentos em que as folhas fazem um percurso invertido e regressam lentamente aos ramos que haviam habitado, luzes que se vão apagando com o acordar do sol, com o passar dos tons alaranjados, para os rosas… para finalmente receberem de braços abertos o chegar dum novo dia.

Os cavalos que fazem sombra no mar, fazem eles também sombra nas ruas que percorro na volta para casa depois dum dia de trabalho. Percebo agora a melancolia destas ruas, a poesia que as habita nas madrugadas em que as percorro, nas sombras que se definem agora que estão vazias.
Sim… essa é a magia dos momentos em que regresso a casa. O vazio preenchido pelos cavalos que fazem sombra no mar.

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Mudo de perspectiva. Mudo de opinião. Londres preenche-me.

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Amanhã vou a Lisboa.
Posted by The Assemblagist at 00:05:26 | Permalink | No Comments »