A Kate faz anos! It’s Kate’s birthday!

Os lugares não são mais do que o conjunto das pessoas que nele habitam. As experiências vividas são um reflexo das pessoas com as quais foram partilhadas. Mais do que os lugares e as fotos bonitas, o que fica das viagens são as pessoas com quem nos cruzamos e estabelecemos contacto.
Quando eu cheguei a Londres conheci a Kate. Ela é Americana. Ela gosta de coisas que eu normalmente associo à América. Ela tem posições políticas diferentes das minhas. Ela tem um sentido de humor demasiado afiado para o gosto de muita gente. Ela faz-me rir mais do que ninguém nesta cidade imensa. Ela trás-me pequeno-almoço a casa naquelas manhãs em que ela sabe que não consegui dormir ou que não estou com muita vontade de enfrentar o mundo exterior. Ela sabe como foi o meu dia só pelo tom da minha voz quando atendo o telefone.
Enfim… A Kate tornou-se como uma irmã nesta cidade imensa.
Quando vou trabalhar as pessoas correm , olham para o chão, parecem cansadas. Eu também faço por vezes parte desse grupo. Aliás, muitos são os dias em entro no metro já de livro aberto e que saio dele antes de marcar a página aonde fiquei. Mas quando regresso a casa é diferente. Aí sinto-me cansada, apetece-me dormir - então fico observando os vizinhos. Entretenho-me com os risos altos daqueles que regressam a casa depois duma boa noite passada nos copos. Por vezes alguém comenta alto como a loira sentada ao meu lado é linda. É verdade, ela é mesmo muito bonita. E então sorrio. Porque aqui, partilha-se muito pouco.
Se eu não tivesse conhecido a Kate também muita da minha partilha se tornaria partilha à distância. Mas como conheci a Kate, amanhã quero ser eu a bater à porta do prédio em frente com o café e os bolos na mão.
Quero poder sorrir e dizer: Parabéns Kate!
When I arrived in London I met Kate. She is American. She likes things that I mostly linked with America. She has different political views from mine. She has a sharp sense of humour. Too sharp for a lot of people. She makes me laugh like no one else does. She brings me cappucino in those mornings she knows I did not get enought sleep or that I do not feel like facing the outside world. She knows how my day was just by the tone of my voice when I answer the phone.
Kate became like a sister in this ‘long’ city.
When I go to work people run, they keep their eyes down, they look tired. Sometimes I am also part of this group of people. Often I already have my book open by the time I catch the tube and also leave it before I had the chance to mark the page where I left it. But when I am coming back home is different. By then I feel tired. I feel like sleeping. So usually I will just watch what is around me. I will listen to the loud laugh of those ones returning home after a drinking night out. Sometimes someone will make a loud comment on how beautiful the blonde sitting right next to me is. It is true, she is very pretty. And then I smile. Because over here, people do not share enough.
If I had not met Kate most of my sharing would have to be a ‘long distance’ sharing. But as I met Kate, tomorrow I want to be the one knocking on the door of the opposite building with the coffee and the cakes in my hands.
I want to smile and say: Happy Birthday Kate!