Quarta
Mas não. Nada disto me interessa dizer. Escrever. Hoje, a única coisa que me atormenta são aquelas pessoas que conseguem ler mais fundo. Que nos percebem sem palavras. Que de alguma forma conseguem perceber qual foi o caminho que seguimos até aqui - e que lá no fundo, seguiremos daqui para a frente. Pessoas que queremos aqui, e ao mesmo tempo ali. Que gostamos e odiamos. Porque na verdade, gostam de nós por gostar. Porque compreedem a unidade. O todo. Não temos para estas pessoas dias bons ou dias maus… temos apenas os nossos dias, em que somos simplesmente nós. Como todos os dias.
Digo a alguém que tenho saudades de P.. Porquê? Sei e não sei. Tento explicar. Não dá. As sombras que estas pessoas fazem nas nossas vidas são sempre mais profundas do que o transparecemos. Invadem o espaço circundante, vão mais fundo, encadeiam o que tocam. Li noutro o final do meu diário de viagem. Voltei a lembrar. A recordar. Tem momentos em que o abraço de despedida é tão vazio. Porque a partida, a despedida não pode existir ali. O que existe naquele instante é uma temporalidade que tem dias em que se parece extender eternamente. Tenho saudades. E hoje é quarta. Simplesmente.