Friday, November 28, 2008

De Lisboa.

‘De Bragança a Lisboa são nove de distância’ - cantávamos nós como se assim nos pudéssemos dar conta das distâncias que nos separam, do tamanho dum país que por vezes parece tão ínfimo e no entanto, de realidades tão distintas assim difíceis de coabitar num espaço tão limitado. Mas na verdade, a distância é raramente apenas uma questão geográfica. Mesmo em espaço partilhado nos encontramos a viver em mundos paralelos. Em mundos que nem sempre sabemos interligar.

Admiro a capacidade daqueles que coabitam em harmonia, co-existem sem pesos de maior, que transparecem uma leveza de existência que nunca existiu em mim. O avançar, o alterar, o tentar é em mim, uma luta constante - que sempre deixa as suas marcas, que me obriga a um existir obrigado - até que a calma e o silêncio que seguem a tempestade cheguem e possa então respirar fundo. E sorrir. Ou apenas existir.

De Londres a Lisboa é bem mais distante que as quase, mas nunca, três horas de distância que as separa. São como existências paralelas que por vezes nem no infinito parecem compatíveis de tal cruzamento ou existir simultâneo.

Voltei. À casa que um dia deixou de ser casa. E que hoje se adapta a mim mesmo, que hoje se vai alterando e embaraçando-me no seu ninho. É bom estar de volta. Mesmo que esta seja uma casa diferente. Mesmo que esta casa nunca venha a saber das minhas verdadeiras razões para voltar. Porque a linha entre o que era a razão verdadeira e aquelas que se quer que sejam as de agora é tão ténue. É tão simples. E ao mesmo tempo de tão difícil percepção.

Vim porque me é mais fácil de habitar no paralelo neste lado do oceano. Vim porque há momentos assim. O céu é mais azul. O pôr-do-sol é mais brilhante. E porque existem coisas que só o olhar pode dizer. E o meu… só o sabe dizer quando aqui está.

Assim… dou nova cara/casa à minha vida. Como assim também dou nova cara ao meu blog. Um novo ritmo. Uma nova vida. De regresso a casa.

Posted by The Assemblagist at 16:32:28 | Permalink | Comments (2)