Um mês depois
Os dias intensos são longos. Exigem escolhas. Exigem prioridades. Engano. Engano meu. Talvez as prioridades sempre tenham sido as erradas. Gostava de dizer que estive longe… distante. Aonde o contacto não me era possível. Gostava de dizer que me foi de todo impossível estabelecer qualquer contacto. Mas que valeu apena. Que estou de volta. Que estou feliz. E que talvez até tenha tempo para um café este fim-de-semana. Gostava… e por vezes, talvez assim o faça.
Mas não. Não estive fora ou longe ou incontactável. Estive aqui, aonde estou sempre. Ignorando o mundo exterior enquanto me sentia a ser absorvida lentamente por tudo o resto. Pela escrita. Pela frustração. Pelos dias de chuva. Pelos dias de sol. Pela vida daqueles que se esvanessem. A vida daqueles que é frágil. Por mais escrita. Ou falta dela. Por momentos de alegria. Por momentos de sobriedade assustadora.
E depois quebrei. O corpo disse que já chegava. Que assim nunca íamos lá chegar. Sem muito bem saber o que tal coisa queria dizer. Fiquei doente. De cama. Tive febre. Tive vontade de partir.
Mas um mês depois aqui estou eu. Aliviada. Absorvida pela melodia das líricas brasileiras. Do Vinicius. Das histórias do Rodrigo. Do ritmo do forró. Do samba. Mas sem nunca sair daqui… do lado do Tamisa.