Curiosidade de Origem
Na verdade, tal partilha não é assim tão simples como parece. E o primeiro problema põe-se com o facto que eu ter um blog que nunca considerei um blog, não por não ser um blog, mas simplesmente por falta de reflexão sobre o assunto. Este sempre foi um blog-estúdio, um blog que se devolveu a rotina da escrita - daquela que não é académica, daquela que fica incompleta para contínua mutação, daquela que nos torna os dias mais delicados e menos pesados no corpo.
The Assemblagist começou quando eu estava de mala às costas de cidade em cidade no Brasil - com dois cadernos cheios de histórias diárias, mas aonde certas coisas não pareciam encaixar dentro da conotação de diário de viagem: eram mais histórias que se queriam registadas noutro lugar independente, que se queriam partilhadas, que se queriam expandidas.
Assim, numa tarde calma, em Perinópolis, nasceu o blog. E assim, foram escritos os primeiros dois textos do blog - juntamente com outras dezenas de páginas do meu diário.
Junho 2007: http://theassemblagist.blog.com/2007/6/
Perinópolis foi uma paragem de descanço e repouso. Tinha acabado de ter uma das experiências mais marcantes da minha vida na Chapada Diamantina e precisava dum local para carregar as baterias e descançar o espírito. Longe de turistas, longe do Brasil dos guias turísticos. E assim foi - Perinópolis acabou por ser um lugar marcante - daqueles lugares que marcam pelas coisas que não são descritíveis em palavras.
Também foi o lugar aonde conheci o Mirim: uma das pessoas mais especiais com quem já me cruzei. E palavras para quê? Mas nunca me consegui despedir dele - porque existem momentos na vida que até um possível (almost impossible) ‘até amanhã’ é doloroso de mais.
- Sempre vamos, não é? Em 2010?
Mesmo sabendo que existem outras coisas que aos poucos se vão tornando a nossa prioridade, o que importa isso, quando por momentos voltamos às praias da Baía, ao som dos Olodum, ao Albergue das Lanrajeiras? O que importa isso, quando a batida faz acelarar a respiração e lembramo-nos das noites quentes a ouvir pagode e batucada?
Apaixonei-me. Verdadeiramente. E todas as vezes, que escrevo aqui, no meu blog, é um pouco do meu coração brasileiro que é partilhado.
Porque existem casas que nunca deixam de ser casas. E o Brasil é uma delas.
Gostei da tua “origem”, da causa da tua origem, pese embora a soubesse ja, que falamos nessa altura no messenger, esse amigo dos amigos distantes.
Tambem na minha vida, que nunca pus pes em terras de Vera Cruz, o Brasil comeca a assumir um papel mais relevante, mais desejo, mais obsessao, quase. Quero morar no Brasil. E este fim de semana, o P. juntou-se aos meuse desejos e fez dos meus os dele
É tão bom quando os nossos desejos se tornam os desejos daqueles que nos são queridos também. Como se num breve instante, tais sonhos se tornassem mais possíveis de realidade serem. Quem corre acompanhado… menos facilmente desiste!