Que eu sou uma apaixonada por detalhes, pelos pequenos momentos dos meus dias corridos, por pequenos objectos que tenho acumulado ao longos dos anos, já não é novidade. Mas hoje faço anos… e mais do que fazer anos, é um momento para celebrar as pequenas grandes coisas do meu quotidiano. E hoje, quase posso dizer: mas começar por onde?
A J. paparicou-me, como sempre - mas desta vez foi ainda mais longe. Tocou-me o coração só como alguém que nos conhece os detalhes pode fazer, falou-me naquele doce tom que só quem nos entende pode ter e assim, por entre todas as suas surpresas aparece esta caixinha cor-de-rosa choque de fitinha e lacinho. Parei, por um breve instante, tal foi um encanto - e depois, por entre um breve desfazer de laço, pequenos corações de velcro foram aparecendo. Uma caixinha que cabe na minha mão com pequenos corações de toque leve e doce, pequenos.
O Y. também sabe desta minha paixão por pequenas belezas da vida… quase como pequenos tesouros presente-ausente - que ali estão só para nós e que quase passam despercebidos a todos em seu redor. Assim, ofereceu-me uma ‘moth’ - pequenina, feita de barro e pintada à mão com uma pequena etiqueta que diz: 4th Jan, 2008, Paris. Talvez o momento em que a nossa amizade nasceu. Aqueles momentos em que se sabe que se acabou de se cruzar com alguém especial, daquelas pessoas que perduram nas nossas existências. Que não só perduram, mas que também as enriquecem. A sua ‘moth’ vai fazer companhia a uma pequena “abelha” cor-de-rosa pintada à mão e feita de pedra comprada em Varsóvia há cerca de cinco anos.
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O P., o F., o H. e a J. deixaram para trás todos os seus afazeres e pergrinaram até aqui - o meu canto em New Cross. E agora, este meu canto é um pouco diferente. Menos estranho, mais próximo. O conforto daqueles lugares que têm memória, que são quase pequenas casas nos nossos percursos. As paredes ecoam as suas vozes, risos altos, piadas tontas que vão e ficam, que se ouvem ao longe, como se de repente, um toque leve na porta acontecesse.
Os próximos meses não prometem as doçuras que os meses seguintes deste mesmo dia há exactamente um ano atrás prometeram. Não há viagens fantásticas prometidas ou marcadas, não há uma cidade nova para habitar, não há um regressar ao que realmente me apaixona - mas talvez porque todas estas coisas fazem parte do meu quotidiano neste preciso instante. Mas mesmo sem as praias da Bahia, o forró do Parati ou o iniciar duma vida em Londres - os próximos meses prometem outros sabores que só se pode ter quando se está próximo daqueles que nos são queridos. Garrafas de vinho partilhadas, noites longas por entre conversas, encontros em Oxford, Bristol, Lisboa ou Alentejo, Sunday roast em manhãs de preguiça - entrelaçar de experiências e partilhas.
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It’s Carina’s birthday. And I am happy for that.